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A origem de Contagem está ligada à procura de ouro e expedições para captura de índios na Capitania de Minas Gerais e São Paulo em fins do século XVII. A ocupação gradativa do território se deu pelas margens dos caminhos e rios que conduziam as minas onde cresciam as primeiras povoações, desenvolviam-se as roças de milho e feijão, estabeleciam-se os ranchos, intensificavam-se as trocas comerciais. 

O povoamento precoce, a intensificação do comércio e a necessidade de controlar a entrada e saída de ouro da Capitania levaram a Coroa Portuguesa a buscar o controle do fluxo comercial. Para tanto, nos caminhos, foram instalados postos de arrecadação dos direitos de cargas, escravos, gados que entravam nas minas – os registros. Os registros eram uma espécie de alfândega ou posto fiscal onde se pagava o direito de entrada. Ali trabalhavam soldados e funcionários régios que procuravam impedir o extravio de ouro, exigindo o pagamento de taxas pela entrada de qualquer mercadoria nas minas. 

Nesse sentido, foi criado o “Registro das Abóboras”, posto fiscal da Comarca do Rio das Velhas em 9 de agosto1716, que deu origem a Contagem. Simultaneamente ao Registro Fiscal e nas proximidades dele, surgiu a povoação de São Gonçalo da Contagem. “Um aglomerado humano dos mais diversificados tipos foi dando vida à povoação. Senhores de escravos, proprietários de datas minerais à procura de braços e gado para alimentação; patrulheiros; funcionários do registro; delatores de transvios; religiosos sem eira nem beira; mulheres da vida atraídas pelo dinheiro fácil; taberneiros; desocupados; e vadios” (FONSECA, 1978: 51). Esse arraial era predominantemente agropastoril e apresentou uma relativa estabilidade econômico-financeira ao longo do século XVIII e XIX.

3.1. ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS
Contagem, no século XVIII, estava localizada na Comarca de Sabará, sede de importante região aurífera mineira. A antiga comarca de Sabará era a maior de Minas Gerais, atingindo até a região de Paracatu e o Triângulo Mineiro. Em 1811 Contagem passa a Distrito de Ordenança. A Ordenança respondia, naquela época, pelo comando e economia dos distritos, incumbindo-se do preparo das listas de recrutas para as Milícias. 

Dentro de uma sociedade escravocrata como a brasileira, São Gonçalo da Contagem, não podia ser diferente, nela era forte a presença da mão de obra escrava. Essa relação dos negros com a cidade de Contagem começa a partir da origem do município. O primeiro recenseamento aconteceu em 1831 e foi tarefa do Juiz de Paz Manoel Alves de Macedo Brochado. Dos 2.155 habitantes de Contagem, 1.327 eram livres, 762 cativos e 66 libertos. A miscigenação já estava presente em nossa sociedade. Segundo Geraldo Fonseca, “é de se notar, ainda, que os 859 pardos (ou mulatos) eram livres. O número de pretos quase igual ao de brancos; aqueles, 364; estes 394. Dos 2.155 habitantes, 1760 eram pretos, crioulos, ou mulatos (FONSECA, 1978: 128 e 129). 

Informa, ainda o documento de Macedo Brochado, que o arraial de São Gonçalo da Contagem tinha “quinze engenhos de cana, seis dos quais fabricavam açúcar e cachaça. Outros nove produziam rapaduras. Quatro curtumes, em um ponto pequeno, produziam sola. Em pequeno estanco era industrializado o fumo. O algodão, produto forte era beneficiado por 377 fiandeiras (preferíamos a grafia do original) e 13 tecedeiras. O fio, em grande parte, era vendido para fora” (FONSECA, 1978: 127). 

Portanto, a força da economia estava na terra. O primeiro Registro de Proprietários de Terra de Contagem foi realizado em 1856, pelo Vigário Antônio de Souza Camargo. Foram oitenta (80) as declarações de propriedades. Por elas, podemos verificar que havia 12 propriedades acima de 200 alqueires, sendo as maiores propriedades pertencentes a Pulquéria Pereira de Freitas, fazenda Jatobá, com 900 alqueires de terra e mais 200 alqueires na fazenda Pantana. Joaquim Diniz Soares, possuía 900 alqueires de terra e José Antônio da Costa Ferreira 380 alqueires de terra. Por outro lado, havia 8 propriedades com pouco mais de 100 alqueires.

Nesse sentido, podemos observar que a grande maioria das propriedades, em torno de 47, eram abaixo de 50 alqueires. Os escravos trabalhavam na agricultura, pecuária, transportes, obras públicas, na construção de residências, templos religiosos e no trabalho doméstico. O fato de contar com uma economia vinculada a criação de gado, à agricultura e ao comércio permitiu a fixação de um grande número de escravos nos primórdios do Município. Com uma organização social intimamente ligada às irmandades religiosas, os negros praticaram sua devoção à Nossa Senhora do Rosário e aos santos negros mantendo tradições e rituais africanos. 

Os estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário datam de 1867 e foram redigidos, quando a capela do Rosário se encontrava provisoriamente concluída. As obras duraram mais de quarenta anos e consumiram: 812.125 réis, em 1875; mais 712.125, réis no mesmo ano; 181.720 réis, em 1876; 675.240 réis, em 1880; 59.644 réis, em 1882; 1 conto 182.860 réis, em 1888; e 83.000 réis, em 1889 (CAMPOS; Anastasia, 1991: 61). Recursos esses vindos da sua maioria através de empréstimos. A Capela do Rosário foi demolida, e com ela foram livros, joias, imagens, tudo tomou rumos ignorados. Assim, gradativamente o patrimônio histórico de Contagem, vai sendo demolido e o nosso passado colonial vai se perdendo. 

A força da religião perpassou a história de Contagem. Segundo Geraldo Fonseca, a primeira capela de Contagem, a de São Gonçalo data de 1725, e o seu primeiro vigário, Padre Antônio de Souza Camargos, assumiu a capela por volta de 1836. Entretanto, foi somente com a intervenção do vereador José Cândido Dias Diniz em 1854, que o debate em torno da criação da paróquia São Gonçalo ganha relevo. Assim, com a lei 671, de 29 de abril de 1854, os contagenses ganharam a sua primeira paróquia. 

Em 1969, ocorreu a demolição parcial da Matriz São Gonçalo, visando à ampliação da nave. Foi destruído o corpo da igreja, reaproveitando parte da fachada principal, conservando o frontão reto as torres de base quadrada. Do seu interior foram vendidos os altares laterais, a porta com valiosa escultura de madeira, os sinos e o relógio. 

Já a primeira escola de Contagem data de 1836, e era de 1° grau, voltada para alunos do sexo masculino. Os nossos primeiros professores foram Francisco de Paulo Rodrigues e padre Mestre Antônio de Souza Camargos. Com a aposentadoria desses dois professores, assume Joaquim Brochado de Macedo, que é de fato o primeiro contagense a ocupar este cargo, pois o primeiro era de Santa Quitéria e o segundo de São João Acima, atual Itaúna. No dia 25 de março de 1893, foi criada a primeira indústria do arraial, ou seja, a Companhia Industrial Contagense. Entre os seus fundadores estavam João Gualberto de Jesus, Pedro de Alcântara Diniz Moreira Júnior, Antônio Benjamim Camargos, Antônio Justino da Rocha, Antônio Augusto Diniz Costa, entre outros. Com um capital inicial de 30 contos de réis, dividido em 300 ações de 100 mil réis cada, a companhia tinha como finalidade o “estabelecimento de uma ou mais usinas de beneficiar café, arroz, moagem de quaisquer grãos e serragem de madeiras quando conviesse a mesma” (CAMPOS; Anastasia, 1991: 363). A Companhia sobreviveu até abril de 1910, em maio os seus maquinários já estavam a venda. 

Com a chegada ao poder em 1930, através de um golpe militar, que se convencionou chamar de “Revolução de 1930”, Getúlio Vargas, após a implementação do Estado Novo (1937 a 1945), uma ditadura civil apoiada pelos militares, Getúlio fechou o Congresso e outorgou uma nova Constituição, de caráter fascista, que lhe conferia o controle total do poder executivo e lhe permitia nomear para os estados interventores a quem deu ampla autonomia para a tomada de decisões. 

O seu governo iniciou um processo de desenvolvimento industrial com forte presença do Estado na economia. Com esse objetivo, foram criadas empresas estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Nacional de Àlcalis, Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Hidrelétrica do São Francisco e a Estrada de Ferro Central do Brasil, entre outras. Os governadores nomeados por Vargas, também começaram a pensar em uma política industrial para os seus Estados. 

Foi com a necessidade de industrializar o Estado de Minas Gerais que a elite mineira criou o Distrito Industrial em Contagem, através do Decreto-Lei no 778, de 20 de março de 1941, visando modernizar o Estado, e ao mesmo tempo preservar a paisagem urbana de Belo Horizonte, pois as indústrias ficariam concentradas numa área situada distante do centro da capital. Além disso, a posição geográfica facilitava a obtenção de mão de obra, de matérias primas, e a proximidade das principais vias de comunicação facilitava o escoamento dos produtos. 

O projeto foi uma idealização do ex-governador Benedito Valadares Ribeiro, que contou com a participação do ex-prefeito de Belo Horizonte, Luiz de Souza Lima, que exercia a 2a Vice-presidência da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Assim, para concretizar esse projeto, foi criada a Lei no 770, de 20 de março desse ano, que declarava de utilidade pública, para fins de desapropriação, os terrenos denominados Cachoeira do Ferrugem, Ferrugem ou Olaria, Batista, Córrego do Riacho, Córrego Fundo, Vila São Paulo, Vila Rui Barbosa, Carneiros e outros, todos para dar lugar ao Parque Industrial Coronel Juventino Dias, localizado hoje na Cidade Industrial. 

O traçado da Cidade Industrial foi extraído de uma enciclopédia por Israel Pinheiro, que era Secretário da Agricultura e sua secretaria estava diretamente envolvida nesse projeto. Esse traçado era o mapa da cidade de Camberra, nova capital da Austrália. Assim, essa cópia de planta foi adaptada de acordo com relevo do terreno, que “encaixou como uma luva”.

De imediato, entraram em funcionamento três indústrias: a Companhia de Cimento Itaú Portland, a Companhia Industrial de Estamparia e a Magnesita S/A. Depois vieram outras fundadas na década de 1940. Foram elas: Ceres LTDA, Indústria e Comércio de Máquinas, Fiação e Tecelagem São Geraldo e a Cotonifícios Minas Gerais, fábrica de sacos brancos e algodão, entre outras.

Construção do Parque Industrial Coronel Juventino Dias

Para fornecer energia ao Parque Industrial, foi criada a Usina do Gafanhoto, abastecida pelas águas do Rio Pará, próximo de Divinópolis. Foi o ex-secretário da Fazenda de Minas Gerais, Ovídio de Abreu, que conseguiu um empréstimo com o banco americano, Exportand Impor Bank, que financiou a compra dos equipamentos com a General Electric. Entretanto, a Segunda Guerra atrasou a compra dos equipamentos e o Parque Industrial passou a ser abastecido por uma usina hidrelétrica do Rio Betim. Gafanhoto só entrou em funcionamento em 1946. 

Mas, apesar de todo o esforço das autoridades mineiras, as empresas de maior porte só começaram a construir suas instalações após 1955, devido a insuficiência da energia elétrica produzida na Usina de Gafanhoto. A Central Elétrica de Minas Gerais (CEMIG) foi criada por Juscelino Kubitschek em 1952, quando era governador de Minas e resolveu o problema da energia do Parque Industrial Juventino Dias. 

Em 1950, a principal atividade econômica de Contagem era em primeiro lugar, a agricultura, pecuária e silvicultura, que empregava 832 pessoas, contra 787 empregos na indústria de transformação. O mesmo já não ocorria em 1955, ou seja, já havia 4.062 empregados na indústria manufatureira fabril, 52 na indústria extrativa mineral e mais de 3 dezenas de indústrias em construção. Já a produção agrícola empregava 272 pessoas (CAMPOS; Anastasia, 1991: 133). 

Em 1970, já havia 182 fábricas em funcionamento, assim distribuídas: extração de minerais, 1; produtos minerais não metálicos, 47; metalurgia, 32; mecânica, 20; material elétrico e de comunicação, 7; material de transporte, 3; madeira, 3; mobiliário, 8; papel e papelão, 1; borracha, 4; química, 5; produtos farmacêutico e veterinários ,3; perfumaria, sabão e velas, 3; produtos de matérias plásticas, 1; têxtil, 5; vestuário, calçados e artefatos de tecidos, 5; produtos alimentares, 28; editorial e gráfica, 2; diversos 4 (FONSECA, 1978: 374). 

O crescimento industrial de Contagem e o esgotamento do espaço físico do Parque Juventino Dias levaram as autoridades municipais a pensar na construção de um novo centro industrial. Fato este concretizado através da Lei Municipal no 911, de 16 de abril de 1970, aprovada pelo prefeito Francisco Firmo de Mattos Filho, que criou o Centro Industrial de Contagem - CINCO. O Cinco é uma entidade autárquica vinculada à administração executiva, e tem autonomia administrativa, econômico-financeira e operacional. Parte da construção foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

Construção do Cinco

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